É fascinante o quanto as pessoas mudam com o tempo. Ou o tempo muda com as pessoas, e nós somos apenas meros seres que deambulam pelas ruas da cidade, preparados para um combate que não tem vitórias assumidas. Lutamos para viver, porque a vida é ter uma arma apontada à cabeça numa estranha roleta russa que nos desperta vontades alheias.
Posso dizer que, em toda a minha vida (que parece mais longa do que realmente é), conheci vários tipos de pessoas, umas tão doces quanto o mel, outras tão amargas quanto o vinagre. Umas que me faziam fechar os olhos de tanto sorrir, por pequenos disparates, meras caretas, simples acções. Outras, que por contradição, sempre me fizeram querer ser uma pessoa diferente daquilo que eu via nelas. Pessoas arrogantes, que quando choravam ficavam mais preocupadas com o desbotar de um rímel do que pela causa em questão, pessoas que dariam tudo pelo sabor de uma nota na carteira - ou um telintar de moedas no bolso.
Que triste vida aquela dos que vivem por merdas - daqueles que não abrem a janela de manhã para sentir a brisa fresca que nos disperta toda a essência pura de um dia passado ao lado daqueles que amamos. Aqueles que, na sua desgraça, não sabem o que é descalçar as botas de salto alto ou os sapatos finos comprados nas ruas da Baixa, para sentir a terra por entre os dedos, a natureza no seu estado puro. É tão simples, viver em comunidade, que pode ser tão individual quanto conjunta com a natureza que nos rodeia.
Sejam doces, sejam amorosos, sejam vocês mesmos, no limiar do que é ser puro, e humano.
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