outubro 08, 2013

A Ilha

O meu pensar é uma ilha com pequenos cursos de água, que correm porque não sabem fazer mais nada para além de viver nessa estranha e profunda reviravolta. Cada lágrima que cai do meu rosto, e porque são tantas e tão poucas, formam as águas que tu vês passar, aquelas pelas quais até molhas a ponta dos pés, só para saborear a frescura num verão seco, como aquele que se faz sentir na minha ilha. Mas tu sabes lá; A minha ilha está repleta de maldades, frustrações que só me ocorrem a mim, epidemias dos seres doentios que me rodeiam, aqueles que eu comparo a falsos morcegos dessas cavernas iluminadas. Luz impúra. Na minha ilha as pessoas sorriem, mas não o querem fazer. Não. Na minha ilha eles querem amar, querem criar algum fogo, para incendiar a vista aos monstros da minha cabeça. Eles - os pequenos demónios da minha mente lúcida... mas tão fraca e desajustada. Eles parecem gostar daquilo que tu és, mas são descuidados - soltam um riso histérico quando tu falhas. Eles querem que falhes. E eu, como um viajante do intelectual, que não sei fazer mais nada para além de caminhar para o vazio, quero tanto que eles morem na minha cabeça. Que seria da minha ilha sem os meus pecados, figurados em pessoas que eu até nem desgosto. Se elas soubessem. Como eu gostava que a ilha fosse só mais um pretexto para o meu refúgio premeditado, ou para a minha loucura de principiante (onde a frustração ainda não quer chegar).

Como se não fosse tudo isso...
***
Ana S.

Sem comentários:

Enviar um comentário