novembro 20, 2013
Uma carta por ti, para mim
Saudades. Saudades é algo que nos corrói por dentro, que nos magoa, que nos corrompe num doce virar de página, que nunca foi realmente concluído. Saudades faz-nos sentir leves, e tão tensos ao mesmo tempo, que podíamos morrer só de as sentir. Saudades, e por mais que estejamos sempre a negá-lo, é um sentimento que está para além dos limites daquilo que podemos suportar... algo que nos transforma num outro ser, que nos deixa um pouco mais perto da loucura, numa insanidade que até sabe bem. Tenho saudades tuas, sabias? E sabe tão bem. Sabe bem sentir-me um pouco mais louca, do que é ser louca por ti. Podes chamar-lhe um cliché: mas eu gosto de sentir que ainda te sinto de alguma forma. Porque por mais que mantenha viva a tua presença, não haverão mais beijos, mais abraços, nem mais carinhos. Não vão existir mais conflitos tontos a surgir por não termos quaisquer motivos para discutir - provavelmente por sermos tão felizes juntos, que sentíamos a necessidade de estranhar este sentimento tão belo e natural que é gostar de alguém. Não vou poder olhar nos teus olhos, enquanto eles fitam os meus, tocar na tua pele, ou acariciar o teu cabelo confuso e emaranhado, enquanto contemplo o teu mágico sorriso. Não vão surgir mais passeios por Sintra, mais tardes passadas por entre os lençóis, mais cócegas que acabavam em beijos ardentes e arranhões nas costas. Não vai acontecer mais "Vamos fazer as pazes?" porque já construímos uma guerra sem fim entre nós. Não há mais amor entre nós, há, sim, o que resta de um amor que foi vivido com a maior intensidade e plenitude.
Eu podia gostar de ti e não dizê-lo, implementar na minha consciência que é inconsciente lutar por algo que já não tem razão de ser. Eu canto, por palavras que aqui escrevo, o que é gostar de ti. Gostar de ti, e antes que me crucifiquem por ser uma romântica incurável num mundo onde já não existe papel e caneta para exclamar o que é sentir, é ter mil bichinhos (até que, vai na volta, vem daí um cliché e eu digo que são borboletas!) a fazer amor, todos ao mesmo tempo, na nossa barriga, a saltar e a pular, a morrer e a ressuscitar, tudo em pequenos segundos: é sentir-me tão frágil e tão segura, tão feliz e tão incompleta, em fortes contradições, género Fernando Pessoa.
Gostar da tua pessoa é gostar da minha pessoa: Jamais poderia gostar de ti se não adorasse o que vejo em mim, o que digo, o que faço, o que reparo ao espelho todos os dias quando acordo, pronta para um novo dia: agora sem ti nem o teu clássico "Bom dia!", que me transmitia tamanha felicidade e força, que creio que até tu desconhecias que a tinha dentro de mim. Até eu.
Escrevo por ti mas para mim, a fim de que nunca leias estas minhas palavras e que nunca censures o modo como a nossa relação foi apagada pela tempo. A fim de que não aches que sou uma louca que não conhece saber se exprimir de outra forma sem ser por uma imaculada carta no blogspot.
A verdade é que gostei de ti, na mais pura das frases, com o mais doce sentido de todos. O que é mentira, é que ainda sinto o mesmo. Confesso. O tempo apagou vontades, mas não apagou memórias e, por isso mesmo, talvez eu idolatre o que é gostar de ti, acreditando que isso ainda está presente na minha vida, que é actual como este Inverno que se aproxima. Talvez eu não goste de ti, mas goste de tudo o que passámos juntos: talvez eu ame as memórias, e quiçá tenha gasto toda a minha lírica para explicar o que se tornou bastante confuso na minha cabeça.
Depois de ter amado sem medida, durante anos e anos da minha vida, encontro-te: E sinto, pela primeira vez, tudo aquilo que tinha lido nos meus livros preferidos. Sinto um ardor quando te afastas, uma veemência tal que me obriga a ir até onde quer que fores, só para te sentir um pouco mais junto a mim que ontem. Um arrebatamento e entusiasmo que me faz ficar de cinco em cinco minutos a ler as tuas mensagens, a imaginar como era bom se podessemos ser siameses em certas ocasiões. Em meses, senti o que nunca tinha sentido em anos, é uma verdade. Verdade essa, que por todos estes motivos, me destrói, me condena. E inevitavelmente, me prende a ti.
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