agosto 18, 2013
Vocês... que fingem.
Fingidores. Vocês que... na vossa triste vida de exibicionistas exacerbados, no vosso olá apertado, no vosso adeus que promete um «nunca mais!», fingem ser cá da gente. Qual gente - mentirosos revestidos a ouro. Não sabem o que é ter o pé descalço, a doer do peso que transportamos nas costas, seus fingidores das pérolas à volta do pescoço. Vocês, mulheres da vida, que nunca pisam o chão, com medo de se ferirem nos bichos, que são sujos, que são vivos. Mais vivos do que o que a vossa alma consegue cantar. Vocês... seus mortos fingidores, que têm o coração tão sujo quanto a lama nos meus pés. Vocês que não medem o que dizem, porque o dizem, sem pestanejar. Vocês que nos pisam, não é doloroso estar lá em cima, sempre a olhar a vida com vergonha? Que prazer dá, a alguém que nunca seguiu os trilhos da floresta, que nunca ouviu o som de se ser livre, na imensidão do que é a vida? Vocês... que se dizem incapazes de matar a gente, mas que nos comem, que nos devoram, sem cessar? Vocês... impostores.
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Ana Silvestre
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