Poema relacionado com a obra O fogo e as cinzas, do autor Manuel da Fonseca.
A velhice dura e
dói tanto,
Diante dos tempos pós-modernos
Morremos do mal e da secura
Nestes corpos magros e velhos.
Longe, caídos no esquecimento
Os inertes, os conformados,
Que foram acabados pelo tempo
Nestes corpos magros e velhos
Lá no Largo, Ai!... Existia vida
Éramos o fruto da Humanidade
Viviamos intensamente a mesma ferida
Com o doce valor da verdade.
O mendigo era amigo do abastado,
E davámos pão ao que não podia
Hoje o rico rouba o pobre
Até ao seu ultimo dia
E, se agora tanto escrevo,
Escrevo pois a minha alma é triste
Porque um poeta que escreve feliz
Não é poeta que me assiste.
***
Ana Silvestre

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