As
personagens que dão vida a esta obra são: o desconhecido, o empregado, a actriz,
o autor, uma colega da actriz, o primeiro espectador e o segundo espectador. O
desconhecido, sendo a minha personagem favorita e também ele a principal nesta
peça, mostra-se sendo uma pessoa confiante, um pouco paranóico, gozão,
irrequieto, contestador, e no prolongar da peça, vai se mostrar também ele
sábio e calculoso. O empregado tem como características o facto de ser bondoso,
preocupado com o futuro da família, paciente e pacífico. Já o autor e a actriz,
pelo contrário, são manipuladores, desconfiados, insensíveis, pouco amigáveis e
egocêntricos.
A peça começa com o desconhecido a
entrar pelo palco, excitado e eufórico. Refere várias vezes que a culpa é
“deles”, parecendo maluco e demasiado estridente, dando inicio à peça. O
empregado entra e começa a pedir desculpa ao palco e aos espectadores alegando
que o individuo está fora de si e que não foi ele que o deixou entrar.
Mostra-se preocupado, e afirma que se o autor da peça se aperceber que o senhor
está lá, é despedido – como passa muitas dificuldades e a mulher tem problemas
de saúde, pede desesperadamente para o desconhecido sair.
No
prolongar da peça, o desconhecido vai tentar a todo o custo contar o seu caso,
afirmando que o caso do empregado não é nada senão banal comparado com o dele. Entretanto,
ouvem passos e escondem-se atrás de um biombo, de maneira que ninguém os visse
e aí entra em cena a atriz que começa a desabafar dizendo que se sente indecisa
entre dois homens, que são diferentes mas que a deixam muito apaixonada, e dá
algumas características de cada um. O desconhecido começa a rir e sai do
biombo, em modo de desafio, dizendo que o caso da actriz era “bicudo” e
ridículo. Queixa-se de ninguém lhe deixar falar do seu caso e deixarem a mulher
falar de um caso tão medíocre. A actriz mostra-se muito assustada e insultada e
começa então a prometer o despedimento do empregado, por ter deixado o
desconhecido entrar em cena. Começa uma grande discussão entre os dois, e o
desconhecido, em forma de gozo, mantém-se calado a escutar. O desconhecido
ridiculariza a discussão dos dois e afirma que são casos estúpidos.
O
Autor surge, juntamente com outras actrizes e actores. O Autor mostra-se
surpreso, e questiona que raio se passa lá, na sua casa, casa de respeito e
onde se faz comédia. O desconhecido diz que está lá para contar o seu caso, “O
caso do Homem” e volta a atacar, dizendo que o autor escreveu uma peça medíocre
e que ele mesmo, é um crítico muito melhor. Começa ali uma grande discussão
entre o empregado, a actriz e o autor, pois o empregado tinha falhado o seu trabalho
de proteger as portas. A Actriz diz que
aquilo é uma palhaçada e que não quer mais apresentar o seu papel naquele dia,
que já esta muito furiosa. O Autor diz que ela tem que apresentar, e entram
também eles em conflito. O Desconhecido por sua vez, diz que é essa a
humanidade que têm, cada um a pensar em si mesmos, e contra o vizinho. Uma
perda de tempo, pois ele já podia ter apresentado o seu caso.
Subitamente,
levanta-se um espetador que, aborrecido, diz que é ridículo que se esteve a
passar, que comprou um bilhete de teatro para relaxar e se distrair do stress do trabalho e família e que se
depara com aquela fantochada. Pede para baixarem o pano. O pano começa a
baixar, quando um segundo espetador se levanta, e diz para o primeiro espetador
permanecer em palco, porque agora também ele faz parte da peça. O desconhecido
puxa o segundo espetador e diz que ele também fez parte da trama, então que
fique também em palco.
O
desconhecido afirma que até os espectadores, que deveriam estar lá para o
ouvir, se levantam para lhe cortar a palavra. Cortar a palavra ao homem dos
deuses, que foi enviado para se fazer ouvir. Quando ia finalmente contar o seu
caso, o pano baixa, cortando-lhe também a palavra.
A opinião do leitor
Esta
obra, na minha opinião, é bastante interessante até porque até agora nunca
tinha estudado obras de teatro. Embora seja uma peça curta tem bastante suspense,
pois no prolongar de todo o diálogo, nunca é revelado uma explicação para a
persistência do desconhecido em contar o seu caso, o que me fez querer
continuar a ler, para saber do que se tratava ao certo.
Como características da acção, nota-se que é um diálogo directo com o público e que é um ciclo vicioso, andando sempre à volta do mesmo caso: os vários casos. Esta obra é isso mesmo, os vários casos das pessoas, que por mais medíocres e pequenos que sejam, são sempre mais importantes que o do outro, e assim sucessivamente, como um ciclo vicioso. As pessoas mostram-se egocêntricas e com falta de humildade, pois só pelo desconhecido parecer estridente e um pouco lunático, preferiam ouvir casos banais e sem interesse, ao dele, que pelo que estava a dizer, era um caso de tamanha importância. O discurso apresenta-se como sendo claro e conciso, de fácil absorção e compreensão.
Como características da acção, nota-se que é um diálogo directo com o público e que é um ciclo vicioso, andando sempre à volta do mesmo caso: os vários casos. Esta obra é isso mesmo, os vários casos das pessoas, que por mais medíocres e pequenos que sejam, são sempre mais importantes que o do outro, e assim sucessivamente, como um ciclo vicioso. As pessoas mostram-se egocêntricas e com falta de humildade, pois só pelo desconhecido parecer estridente e um pouco lunático, preferiam ouvir casos banais e sem interesse, ao dele, que pelo que estava a dizer, era um caso de tamanha importância. O discurso apresenta-se como sendo claro e conciso, de fácil absorção e compreensão.
Num só acto, José Régio, com todo o
seu brilhantismo, fez transparecer uma das suas características mais presentes,
a análise à problemática das relações humanas.
***
Ana Silvestre

Muito boa tarde. Tinha apenas uma questão que gostaria que me respondesse, se não for um grande incómodo: Em que suporte tem esta obra ?
ResponderEliminarPeço imensa desculpa pelo atraso na resposta ao seu comentário. De qualque forma, não tenho esta obra em suporte digital, tive em tempos esta obra em papel, quando tive de a requisitar na biblioteca para um trabalho escolar. Espero ter ajudado apesar da demora! Beijinho
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