janeiro 04, 2013

Os males

E tenho tanta fome, que me assusta a ideia de comer
E ninguém me ouve, será que faço sequer barulho?
E se quiserem, venham dar comigo um passeio
Para os lados perturbadores da nossa cidade, anseio

Ver-me livre, nunca mas sempre, e fugir!
Para aquilo em que penso ir mas que nunca realmente fui
Sofrer tanto e em segredo, sentir toques de raiva na rua
De gente que passa e não fica, leva mas nunca possui
Será que a pele aguenta, quando a carne é tão crua?

Praticar o bem, e não chegar sequer a saber o que é
Poder segredar-lhe que o mal é injusto e sujo
Mas que sem ele, não existiria bem tal, que
Ao remediar tudo e nada, matasse e vivesse
 
E pedir-te uma esmola, eu sou pobre e estou nu
Desamparado, sozinho, triste, mas sorrio para ti
E tu que estás vestido, que comes, que dormes
Passas por mim fingindo não me ver, eterno desprezo
De quem tem tudo e não dá valor a nada que seja.





***

Ana Silvestre

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