janeiro 04, 2013

Doces venenos

Numa terra bem longe deste universo,
Conheci uma mulher, Lu, que me fez tão perverso
Que, ao reparar nas curvas profundas do seu corpo
Satisfazia vontades inertes que me matavam,
E eu já estava morto.

Aquela sede, veneno ardente que mente,
Manipulava o meu querer, minha Lu
Mas se, mergulhar dentro do teu mundo
Quem sou eu, doce pecado mortal, se não tu?
E eu já estava morto. 

Que pecados? Quem está livre deles
Que, me apontem dedos, mas que chorem comigo
Do corpo-máquina que matou a sua alma, oh Lu
Eles criticam mas eles não sabem nada,
Porque eu já estava morto.

***

Ana Silvestre

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